sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

DESALENTO




Nem dor nem luto
A remorder de incertezas
Apenas esta velada tristeza
Apenas o olhar enxuto

Apenas esta angústia estranha
Que sacode nervos e vontade
Esta loucura tamanha
Que me rouba a liberdade

Esta exagerada revolta
Que num labirinto fascinado
Busca não sei que ideal
Já cansado de desilusões
Amarroto as frustrações
No cabo de um punhal

- Que ânsias de carnaval!

Esfumam-se as esperanças
No lusco-fusco da primavera
A noite é apenas a noite
Para além de qualquer sombra
Para além de qualquer espera!

Já não sou poeta…
Que direito permite que sinta a poesia
Que vem habitar-me a alma
Como senhora do Porvir
Anfitriã da ira e da calma?

A poesia vive de espíritos abertos
Que num céu de fascínio
Planam nas asas das cotovias –
Não de homens como eu
Que em cada “quase poema”
Desgovernam a fantasia!

Nada me satisfaz nesta insone rebeldia
De procurar entre as giestas
A agulha viciada do meu norte…
No desespero em que navego
Não preciso de passaporte!

“Quase poema”
Verdade sempre eterna
Como a minha solidão…

“Quase poema”
(Mito ou contágio)?
No mar que é a poesia
Sempre naveguei junto às rochas
Para assistir de perto ao meu naufrágio!

Sem comentários: